3ª Temporada de Only Murders in the Building: Quem Matou Ben Glenroy?
- marcelly moreira
- 23 de out. de 2023
- 5 min de leitura
Atualizado: 24 de set. de 2024
Foi finalizada a 3ª temporada de Only Murders in the Building na Star+. A trama, dessa vez, gira em torno do assassinato de Ben Glenroy, interpretado por Paul Rudd, o conhecido Homem-Formiga. Ben é um egocêntrico e complicado figurão de Hollywood, trata todas as pessoas à sua volta com desprezo, e isso só dificultou achar o possível assassino dele, já que todos o odiavam. A história fica complicada quando ele aparentemente infarta no palco, mas logo aparece na festa do elenco de maneira soberba, causando choque a todos ao redor.

Com elenco fixo já contando com estrelas como Steve Martin (Doze É Demais) no papel de Charles-Haden Savage, Martin Short (É Pura Sorte) como Oliver Putnam, e Selena Gomez (Os Feiticeiros de Waverly Place) dando vida a Mabel Mora, nesta temporada, além de Paul Rudd, os atores em destaque foram a lendária Meryl Streep, interpretando Loreta, e Jesse Williams (Grey's Anatomy), como Tobert. Ambos são pares românticos do trio principal da série, mas não seria possível Meryl Streep ser somente isso em um papel. Sua gigantesca presença faz com que seu personagem seja muito maior do que o planejado. A química que ela tem com Oliver é de se derreter, mesmo que a trama nos faça duvidar da inocência dela o tempo todo.
Ben acaba caindo em cima de um elevador em movimento após ser empurrado por alguém enquanto ia embora da festa de comemoração. Ele caiu, curiosamente, em cima do elevador do trio dono do podcast criminal mais famoso do momento. Mabel, na mesma cena, já começa a mostrar seu primeiro indício de obsessão com casos criminais, quando nem reage à morte, apenas tira fotos sem que seus amigos ou a polícia vejam. Mostrando uma frieza pouco conhecida pelos telespectadores, Charles entra em pânico novamente por sua peça ter ficado sem o protagonista e começa a tentar de tudo para salvar sua obra.
TRIO ABALADO

A trama não se baseia somente em descobrir quem é o assassino. Dessa vez, vemos as nuances da personalidade de nosso trio e julgo dizer que, pela primeira vez, vemos seus piores lados socialmente. Oliver Putnam se cega com sua nova paixão, Loreta, que, mesmo parecendo altamente suspeita em vários momentos, ele escolhe ajudar, disposto até mesmo a comprometer uma prova criminal superimportante por sua amada. Ele também menospreza seus amigos durante toda a temporada, por estar ocupado com a peça e sua nova namorada. Charles vive em seu mundinho quase todos os episódios, preso na indecisão de amar sua companheira ou não, preso no seu medo de palco e, principalmente, preso em sua própria cabeça. Durante um de seus muitos lapsos de memória, ele acaba pedindo sua atual namorada em casamento, mesmo que não fosse o que ele realmente desejava. Charles também acaba negligenciando seus amigos na busca interna de se encontrar. Já Mabel demonstra, desde o primeiro episódio, sua obsessão por esse caso — ou só por um novo caso. Ela percebe rapidamente que seus amigos estavam ocupados demais para ajudá-la com esse novo mistério, o que a deixa frustrada. Em contrapartida, ambos ficam com ciúmes dela dividir seus palpites com Tobert, novo interesse romântico dela e ex-funcionário de Ben. Em certo momento, todos começam a despejar suas frustrações uns sobre os outros, ocasionando uma grande e triste briga. No meio da briga, observamos o medo de cada um ali: Mabel se sente sozinha, Oliver sente que esse é seu último momento para ser inesquecível e amado, e Charles se sente perdido a cada segundo. Mabel demora para lidar com esse conflito, mas os homens persistem em pedir desculpas pelos seus atos, e toda a relação é restaurada.
MERYL STEEP COMO LORETA IMPRESSIONA

Sendo reduzida a um interesse romântico de um dos protagonistas, eu esperava muito menos do que recebi da personagem Loreta. Para uma personagem recorrente, ela é bem trabalhada, mostram as frustrações de uma mulher que nunca conseguiu ser bem-sucedida, mas que buscava se reconciliar com seu filho, que foi para uma família adotiva logo após nascer. Depois de muitos anos, ela descobre que o mesmo era irmão de Ben, homem que teria acabado de ser morto. Essa é mais uma das muitas razões que ela teria para matá-lo, já que nem seu irmão escapava da antipatia dele. Ela tem uma linda história de romance com Oliver, seu chefe e amigo. Eles se envolvem, mesmo com ele sabendo de toda sua história confusa e pouco confiável. As cenas em que ela atua ou canta na peça são o auge de sua atuação em Only Murders in the Building. Ela entrega tudo: voz, atuação e sensibilidade. Sendo uma atriz de filmes, foi surpreendente vê-la em uma série, ela poderia fazer mais vezes.
O FINAL
Suspense é indescritível para o sucesso de uma série como essa, mas essa temporada não trouxe exatamente o maior suspense de todos. Ela é clara e bem linear, não há surpresas quando descobrimos quem matou Ben, nem um choque eminente sobre quem essas pessoas eram. Por mais que o assassinato em si tenha sido interessante e a dinâmica de “vivo ou morto”, que ocorreu no primeiro episódio, tenha sido, em geral, bem divertida, não gera curiosidade nem um suspiro no final de cada episódio para saber quem matou.

Depois de a série girar entre os maiores suspeitos desse terrível crime, descobrimos que tudo se passava na família de Donna, dona de todo o investimento e área financeira da peça de Oliver, que, em suas horas vagas, é mãe de Cliff, um menino mimado que tem tudo o que quer. Eles vivem numa relação materna platônica em que quebram alguns limites sociais, chegando a se beijar às vezes. Donna tenta impedir que Ben estrague a peça de seu filho. Ela toma consciência de uma crítica ruim que iria sair sobre a peça e resolve envenenar o homem com a intenção de apenas deixá-lo doente e não disponível para executar seu papel. Horas depois, ele consegue sobreviver e volta a ser o protagonista, mas logo percebe que quem o envenenou foi Donna e acusa isso para seu filho, Cliff. Ofendido, Cliff acaba empurrando Ben contra um elevador quebrado. A polícia nesta temporada é praticamente inexistente; nem tentam esconder que a força investigativa é totalmente do trio ou somente de Mabel durante essa temporada. Nem mesmo a polícia atrapalha os civis interferindo em provas confidenciais, chegando a ser patética a forma como eles podem agir diretamente.
A cena que finaliza a temporada é a melhor e, sem sombras de dúvida, faz qualquer um suspirar de ansiedade para a próxima. Ver uma pessoa vestida como Charles levar um tiro foi de matar qualquer um do coração. Segundos depois, eles aliviam nossos corações e partem-no um pouco ao mesmo tempo. Descobrimos que a pessoa baleada é a mulher que era sósia/dublê de Charles durante as séries e filmes em que ele atuava. Não sabemos o que aconteceu, mas o homem que deveria ter sido morto era Charles. E por que mandariam matar um homem como ele?



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