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Agatha Desde Sempre - Queerbaiting

  • Foto do escritor: marcelly moreira
    marcelly moreira
  • 24 de out. de 2024
  • 4 min de leitura

O Spin-off de Agatha Desde Sempre finalizará sua primeira temporada no dia 30 de outubro, sendo esse decorrente de um grande sétimo episódio. A temporada se inicia com Agatha sendo libertada do feitiço que Wanda colocou nela quando desfez seu feitiço sobre a cidade.


O piloto é curioso e bem divertido de assistir; todo o episódio é inspirado na série Mare of Easttown, que conta com Kate Winslet e Evan Peters interpretando dois investigadores em uma pequena cidade, desvendando crimes. Agatha é uma policial com a vida pessoal caótica e a saúde mental pior ainda, assim como na série original. Ao decorrer da trama, ela encontra um corpo na floresta e, curiosamente, o corpo seria de Wanda Maximoff.


WANDA MORREU!?

Nada fica muito claro ao telespectador. É óbvio e de pouca sutileza o quanto o enredo quer que os fãs de Wanda sigam consumindo a série. Wanda morreu? No filme Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, a personagem se entrega aos escombros que ela mesma causou, depois de passar 2 horas lutando pela presença de seus filhos, até então puramente imaginários. Mas esse final não convenceu muitos dos fãs de Wanda, que seguem acreditando que ela está viva em algum lugar, talvez procurando por seus filhos ou pedaços de seu marido.


Não fica claro para o público o que de fato aquelas alucinações de Agatha significavam, se era tudo fruto de sua própria cabeça ou se fazia parte de todo o feitiço de sua ex-melhor amiga. Independentemente disso, após um longo e complexo episódio, conhecemos um jovem garoto que alegou ter retirado o feitiço da mulher. E logo vemos o primeiro grande problema da série: nada é de fato surpreendente. Era óbvio para qualquer um que aquele menino tinha ligação direta com Wanda, que aquele garoto era seu filho. A trama se embaralha um pouco em momentos tediosos no segundo episódio, tentando apresentar personagens que claramente não tinham aprofundamento necessário e nem viriam a ter.


TRAMA

Todo o enredo se passa dentro do Caminho, algo que leva 5 mulheres e 1 menino em busca de encontrar no final deste lugar algo que cada um deles procura: poder. Ao longo dos episódios conhecemos a motivação de cada personagem para estar alí,com uma fotografia impecável e uma caracterização espetacular descobrirmos mais das personagens.


Não sei se são os 30 minutos de episódio ou a falta de drama sincero na série, mas existem lacunas em branco durante alguns momentos. As cenas em que Agatha se entrega à vulnerabilidade são honestas e geniais. Narrativas contadas de maneira dinâmica e corrida, como aconteceu no primeiro e no sétimo episódio, são obras-primas.


Agatha,Lilia Calderu,Mrs. Hart,Alice Wu,o garoto e Jennifer Kale vão em busca das resposta que o caminho tem a oferecer. Depois de algumas provações, uma nova personagem surge, e com ela talvez a melhor parte da série.


QUEERBAITING


Aubrey Plaza interpretando Rio Vidal é categoricamente algo inesquecível. Depois de Kathryn Hahn dando vida a Agatha, Plaza faz um trabalho impecável mostrando todas as nuances lunáticas e instáveis de Rio. A protagonista vem fugindo da outra desde os primeiros episódios, negando qualquer tipo de luta física por estar com seus poderes fracos. O enredo deixa pitadas de flertes e tensão sexual em cada segundo de cena, mas, como sempre, nada concreto. A dinâmica da relação das duas traz à tona outro grande problema das obras da Marvel: a falta de representatividade LGBTQIAPN+.


Talvez você esteja se perguntando sobre a cena de um beijo gay que aconteceu por 20 segundos nesta série e outro selinho patético em Eternos, e a única resposta clara sobre isso é que a homofobia dentro de obras cinematográficas se estende para outros lugares. Não estamos falando só de homofobia, mas principalmente de lesbofobia. Eles sabem que vendem e adicionam conotação sáfica sempre que podem, seja com Carol Danvers e Maria Rambeau agindo como casadas ou Valkyrie com cenas de seu grande amor de vida morrendo. Mulheres podem fazer cenas lambendo a mão uma da outra de maneira sexual, mas um miserável beijo já é demais para a Disney. Talvez aconteça o beijo, mas, sinceramente, não teria um pingo de esperança em cima disso. Três frases com conotação sáfica não mudam a realidade sincera de que a probabilidade de algo acontecer entre as duas é quase nula. Talvez com outro Streaming assinando em baixo teríamos cenas mais profundas sobre a relação de ambas.


Outro grande problema é a "revelação" de que Rio Vidal é na verdade A morte,fazendo com que de fato nada na série seja uma surpresa ou um grande plot. Era nítido no momento em que ela disse para sua aliada/inimiga "você fica com o poder e eu com os corpos".


FILHO DE WANDA



Billy Maximoff, interpretado pela estrela de Heartstopper, Joe Locke, vem recebendo críticas sobre sua aparência e algumas sobre sua atuação. Deixando de lado comentários ofensivos sobre questões físicas, o personagem carrega consigo várias versões. Não sei se essa era a ideia do escritor ou diretor, mas transformar aquele garoto até então doce, gentil e paciente em uma ameaça para seu coven chega a ser patético.


Comentários feitos por ele no último episódio não ajudaram a simpatia com o personagem, destratando a imagem de Wanda, que ao menos o conhece grande, é um tipo de roteiro arriscado. É certo dizer que a mulher fez tudo que podia para encontrar seus filhos: sequestrou cidades, ameaçou crianças, enfrentou magos e magos. Para ouvir da boca dele que ela não era sua mãe.

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