Coringa: Delírio a Dois - um desastre delirante
- marcelly moreira
- 7 de out. de 2024
- 4 min de leitura
CONTEM SPOILER!!

No dia 3 de outubro de 2019, o primeiro filme do Coringa, interpretado por Joaquin Phoenix, estreou nas telas de todo o Brasil. Com uma trama fria e distante dos quadrinhos, o filme se tornou um grande sucesso, destacando-se pela atuação invejável de Phoenix. A história retrata um homem isolado e excluído da sociedade, que tenta ganhar a vida como comediante, mas falha repetidamente. Após matar três homens no metrô, o palhaço inicia um movimento popular contra a elite e a polícia da cidade de Gotham.
Sendo o primeiro filme um ganhador de diversas categorias no Oscar, era de se esperar a realização de uma sequência. Cinco anos depois, Coringa: Delírio a Dois retorna às telas, agora com a aguardada personagem Arlequina, interpretada pela cantora e atriz Lady Gaga. Diferente da maior parte do público, não achei a escolha ruim. Gaga tem ótimas ferramentas para entregar uma atuação digna de Oscar, mas, infelizmente, o roteiro mal deu falas para a personagem. Arrecadando apenas US$ 121 milhões na semana de estreia, o filme tornou-se um grande fracasso de bilheteria, ficando atrás de grandes sucessos como “Divertida Mente 2” (US$ 295 milhões), “Duna: Parte 2” (US$ 178 milhões) e “Os Fantasmas Ainda Se Divertem” (US$ 147 milhões).
Existem filmes que dividem opiniões, em que seu primo diz que é bom, mas seu tio acha terrível. Nesses casos, o público fica curioso para assisti-los e formar sua própria opinião sobre a obra. No entanto, há certos filmes tão ruins que geram uma desaprovação quase unânime. A nota de Coringa: Delírio a Dois já começou baixíssima e, para minha surpresa, o filme conseguiu ser ainda pior.
ROMANCE, DRAMA OU MUSICAL?

Existem diversos musicais interessantes e nem sempre eles trazem a comédia consigo, como, por exemplo, Tick, Tick... Boom!, que, segundo sua própria categoria, é classificado como “drama/musical”. Deixando minha opinião de lado, acredito que esse filme seja um bom exemplo de como misturar esses elementos de maneira coesa e original. Portanto, quando usam o argumento de que Coringa 2 é ruim apenas por ser um musical, não concordo completamente. Porém, também não digo que seja um bom musical, pois o filme falha em todos os aspectos, tanto no drama quanto no musical. Sem músicas como Shallow, o filme se torna previsível e entediante.
Em certos momentos, a trama tenta desenvolver um romance entre o Coringa e a Arlequina, uma mulher que, de longe, parece tão louca quanto ele, mas que, de perto, é apenas uma mimada em busca de um símbolo de rebeldia para chamar de seu. Em todas as suas interações, vemos Arlequina manipulando Arthur Fleck, induzindo-o a parar de tomar seus remédios e a se transformar no símbolo social que o Coringa representa. Com uma cena sexualmente estranha e desagradável, provavelmente fruto de sua imaginação, Arlequina o manipula de diversas maneiras, mas sempre deixando claro que não importava o mal que ele fazia às pessoas, pois tudo se resumia a um símbolo de rebeldia social, não ao fato de que ele era cronicamente insano.
Depois de 2 horas e 20 minutos de filme, a trama não chega a lugar nenhum. Não é um drama, não é um romance e muito menos um musical decente. É uma perda de tempo e de dinheiro. Fico pensando quanto pagaram a Joaquin Phoenix para ele ter aceitado fazer esse tipo de filme. Antes de assistir, imaginei que seria um desastre, mas nunca pensei que seria de uma forma tão grotesca. Talvez seja a pior continuação já feita na história do cinema.
INSANAMENTE CLINICO

Talvez a única parte interessante de todo o filme seja a trama finalmente tratar o Coringa como um homem com problemas mentais, e não apenas como um símbolo. Se, no primeiro filme, isso me incomodava, neste senti falta. Senti falta de ver Arthur Fleck em sua essência, que, no fim, é apenas um homem cheio de traumas e completamente insano. Não sei que tipo de sociedade aplaudiria um louco que matou diversas pessoas em um surto social, mas isso me parece plausível na distopia em que, às vezes, parecemos viver. Sua advogada faz um trabalho sensacional enquanto pode, e talvez até conseguisse vencer o caso se não fosse pela interferência de Arlequina e do Coringa.
Gosto das cenas que abordam o tema de dupla personalidade ou talvez uma possível bipolaridade. Quando a psicóloga pergunta: “Posso falar com o Coringa?”, a expressão de Joaquin Phoenix muda instantaneamente. Um grande problema desse filme é que o protagonista só tem sua primeira fala muitos minutos após o início. Já Arlequina deve ter pelo menos 100 falas, visto que sua personagem não faz nada além de cantar sem motivo algum.
PODE PIORAR?

O final do filme torna-se cada vez mais previsível. Sua morte era óbvia e inevitável, seja ela pela cadeira elétrica ou por suicídio. Em certos momentos, pensei que até mesmo sua amada o mataria, e, sendo honesto, qualquer uma das opções seria digna para a trama. No entanto, morrer nas mãos de um paciente aleatório, interpretado por Connor Storrie, talvez tenha sido a pior parte do filme para mim. Mesmo que isso significasse que eu nunca mais teria que assistir a filmes tão ruins quanto aquele, o desfecho foi frustrante. Muitos fãs da DC dizem que seu assassino seria uma homenagem ao Coringa de Heath Ledger, o vilão de Batman: O Cavaleiro das Trevas. Sendo isso verdade ou não, nada transformaria esse desastre cinematográfico em algo bom ou digno dos 20 reais do ingresso.



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