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O que deu errado em Anora?

  • Foto do escritor: marcelly moreira
    marcelly moreira
  • 24 de dez. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: 23 de jan. de 2025

Anora estar indicado ao Oscar em qualquer categoria é quase uma ofensa à bancada e ao público. Não assisti aos trailers nem procurei a sinopse desta obra; a ideia era ir com a cabeça limpa e sem pré-julgamentos.


A trama gira em torno de uma dançarina de boate,Anora ou Ari,que conhece um rapaz de 21 anos e vive uma clara ilusão com ele e sua vida de classe média alta. Tudo — e repito, tudo — nessa relação é mal feito ou mal estabelecido. Em certo momento, percebemos que ela acredita em todas as mentiras e falácias que ele conta, e isso talvez seja a pior parte do filme. Como você, uma mulher mais velha, acredita que um rapaz drogado e rico realmente quer se casar com você, e não apenas usá-la como diversão sexual? Sendo que nenhum cena mostra um troca sincera e romântica entre vocês?Totalmente irreal.


O filme, com suas 2 horas e 10 minutos de duração, parece uma eternidade. Aos 50 minutos, já comecei a checar quantos minutos faltavam para acabar. Os primeiros 50 minutos do filme foram agradáveis — nada profundo, nada interessante, mas agradáveis. O restante do filme, no entanto, poderia ser descartado.


Passamos cerca de UMA hora do filme na trama mais tediosa que já vi: a busca pelo rapaz em todos os cantos de Las Vegas. Nada é interessante, engraçado, dinâmico ou sequer dramático. Tudo é completamente descartável. Toda tentativa de criar cenas de comédia com o trio de capangas é falha, toda crítica à classe média alta é ineficaz e, principalmente, toda profundidade da personagem Anora (Mikey Madison) é extremamente superficial. Anora é uma ideia vaga; ela não tem amigos, família e não menciona nada em nenhum momento — nenhum desejo, nenhum sonho, nada. É como um fantasma que nem sequer possui personalidade.

O filme tem suas pitadas de XXX - A Marca da Morte, seja por suas cenas sexuais ou pela agressividade da protagonista. Mas, ao contrário do filme de terror, Anora falha em tudo que se propõe a fazer: seja romance, comédia ou até mesmo drama.


Há algumas cenas que deixam claro que toda a aprovação masculina que Anora deseja está misturada com questões sexuais, e sua relação com um dos capangas, Igor (Yuriy Borisov), é a prova disso. Mas essas poucas cenas carecem de profundidade, sendo marcadas por um vazio extremo. Entende-se que a crítica do filme é mostrar que a protagonista buscou no garoto algum tipo de amor e afeto, já que nunca recebeu isso da maneira correta. Quando ele mencionou a ideia de casar com ela, Anora acreditou cegamente, mesmo sendo uma fantasia completamente irrealista.

Mikey Madison, conhecida por seu papel de destaque em Pânico 5, entrega uma atuação clara e boa. Ela faz exatamente o que o roteiro exige e o faz com competência. Em sua única cena dramática, qual ela chora no colo de Igor, Madison se destaca.


O grande problema deste filme não está no elenco ou nas atuações. Mark Eidelstein, que interpreta o mimado garoto da família, também realiza um trabalho convincente, despertando a antipatia do público em relação ao personagem. A verdadeira falha está no roteiro, que não dá profundidade o suficiente para demostrar o potencial dos atores.

 
 
 

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