top of page
Buscar

Quarteto Fantástico - o filme que não chegou lá

  • Foto do escritor: marcelly moreira
    marcelly moreira
  • 25 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 30 de dez. de 2025


Lançado em 25 de julho de 2025, The Fantastic Four: First Steps marca o início da Primeira Família da Marvel no novo universo cinematográfico da franquia. Dirigido por Matt Shakman e estrelado por Pedro Pascal, Vanessa Kirby, Joseph Quinn e Ebon Moss-Bachrach, o filme chegou cercado de expectativa, especialmente pela estética retrô futurista dos anos 60 e pela promessa de uma abordagem diferente do tradicional filme de origem.


Visualmente, o filme é impecável. Cores vibrantes, direção de arte que homenageia os quadrinhos clássicos de Jack Kirby e um tom leve e aventureiro que contrasta com a fase mais sombria dos heróis da Marvel. Mas, apesar de entregar um espetáculo visual e ótimas atuações, o filme deixa a desejar em um aspecto crucial: a profundidade de sua mensagem.


A trama gira em torno da equipe já estabelecida em um universo alternativo (Terra-828), enfrentando ameaças cósmicas como o vilão Galactus (interpretado por Ralph Ineson) e a Surfista Prateada, vivida por Julia Garner na forma de Shalla-Bal. Mas mesmo com esse enredo de fundo grandioso, o filme parece falhar ao mergulhar nas emoções mais profundas dos personagens.



Não que maternidade e família não sejam temas importantes. A personagem de Sue Storm (Vanessa Kirby) representa isso com muita força. Algumas das melhores cenas do filme são protagonizadas por ela, especialmente nas interações com Reed Richards, vivido por Pedro Pascal. A química entre os dois atores é impecável. Eles entregam uma relação amorosa, cheia de ternura e cumplicidade, algo que faltava em muitas histórias recentes do MCU.


Pascal, aliás, está em uma das melhores fases de sua carreira e entrega um Reed contido, racional, mas emocionalmente vulnerável. Ainda assim, o roteiro peca por não conseguir expandir essa dinâmica. A sensação é que há um grande potencial ali, mas ele não é aproveitado. O problema se estende também ao restante da equipe. O Tocha Humana, interpretado por Joseph Quinn, funciona bem como alívio cômico, mas fica preso a somente isso, um personagem vazio e engraçado. E o vilão Galactus, apesar da ameaça que representa, nunca parece verdadeiramente superável — transmitindo a incômoda ideia de que os heróis são, de fato, frágeis demais diante do mundo que os cerca.



O que mais me frustrou foi ver como Ben Grimm, o Coisa, interpretado por Ebon Moss-Bachrach, foi pouco explorado. Para mim, ele é o personagem mais interessante da equipe. Sua lealdade, seu sofrimento silencioso, sua vida de privações e angústias por conta de sua aparência e solidão poderiam ter sido um dos pontos centrais de sua narrativa. Há, sim, momentos tocantes, mas nunca suficientes para dar a ele o espaço que merece.


A introdução de personagens como Mole Man (Paul Walter Hauser), Shalla-Bal, e até Guy Gardner / Lanterna Verde, vivido por Nathan Fillion em uma participação especial, ajudam a expandir o universo e prometer bons desdobramentos. Mas tudo parece girar em torno da estética e menos da essência.


Fica claro que a Marvel está apostando em um recomeço visual e de tom, mas talvez tenha esquecido que os heróis precisam mais do que boas cores e figurinos estilosos. Eles precisam de conflitos internos reais, de transformação, de significado. A promessa de impacto é maior do que o filme realmente entrega. E é aí que reside a maior frustração: não falta talento, nem direção, nem elenco. Falta peso. Falta coragem.



No fim, The Fantastic Four: First Steps é um filme com alma, mas sem propósito claro. Ele acerta no tom, no elenco, na estética, mas falha em se posicionar com relevância. Parece mais um filme-ponte,o início de algo grande, mas que ainda não chegou lá. A cena pós-créditos, que apresenta um novo vilão misterioso vivido por Robert Downey Jr., promete reacender o universo Marvel,com o que acredito ser só mais uma sensação falha de nostalgia. Ainda assim, por enquanto, o longa se limita a preparar o terreno, quando poderia começar a construir ele com mais firmeza.

 
 
 

Comentários


bottom of page