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Saltburn - Mais um acerto da A24

  • Foto do escritor: marcelly moreira
    marcelly moreira
  • 8 de jan. de 2024
  • 5 min de leitura

Barry Keoghan, traz vida a um menino aparentemente solitário e triste, Oliver. O mesmo acabou de entrar numa faculdade renomada e de elite, e por conta de não pertencer a essa elite algumas outras pessoas chegam a zombar dele, causando altas doces de empatia e afeto pelo menino aparentemente bem frágil. O homem cria um aparente interesse pelo antagonista Felix Catton, interpretado com maestria pelo Jacob Elordi, e quando digo maestria quero dizer que o mesmo entrega uma boa atuação para um personagem que tem menos personalidade que uma uva.


Jacob está lá para ser o melhor amigo gostoso que todo homem gay gostaria de transar e cumpre bem esse papel com seu corpo trincado e seu piercing na sobrancelha. Felix, mesmo sendo um rico egoísta, se afeiçoa pelo Oliver de maneira inexplicável. Síndrome do homem branco salvador, que implica em um homem branco rico querendo a todo custo fazer sua boa ação do ano adotando algum amigo que ele considera bem pobre e sofrível. E diga se de passagem, Oliver aparentava cumprir todos os requisitos que Felix queria para esse papel. Não vemos grandes indícios de que o Oliver ou Felix seriam grandes personagens durante as cenas da faculdade, ambos são bem amigos e nada era muito esquisito ou bizarro.


SE ABRAM AS PORTAS DA COITADOLÂNDIA


Oliver tem um desentendimento ridículo com seu novo melhor amigo e logo após recebe uma ligação sobre a morte de seu pai. Ele vai chorando para os braços de seu melhor amigo que novamente com a personalidade de uma uva somente diz palavras rasas sobre o assunto. Contradizendo só um pouco sua profundidade, ele dá uma pedra ao amigo para homenagear seu pai falecido. E mais uma vez Oliver conta historias horríveis sobre sua infância, citando sua mãe viciada e seu pai recentemente morto. Felix, com pena, comete seu primeiro erro explicito ao convidar Oliver Quick para passar as férias de verão na mansão de sua família, na região de Saltburn. Em mais um teatro da coitadolândia ele recusa algumas vezes até aceitar de vez.


Sua chegada na mansão é normal e sorrateira, ninguém liga para sua presença, somente para sua triste história de vida. A mãe da família, interpretada por incrível Rosamund Pike, faz o papel de uma mulher rica da alta classe egocêntrica, egoísta e rude. Mas sempre com um sorriso na cara para disfarçar essa maldade, não que ela precise necessariamente disfarçar algo, mas ela ainda tenta. Suas interações mais tensas são com um familiar da família distante, Farleigh, que a todo custo o chame de aproveitador. Algo que claramente ele também é, chega a ser engraçado porque eu algum momento do filme vemos ambos serem dois parasitas brigando para ver quem é mais aproveitador, mas era fato, aquela casa não era de Oliver, aquele não era seu mundo e nunca seria por seguimentos honestos.

A personalidade sociopata de Oliver começa a se escalar de forma rápida e sorrateira entre a linda fotografia desse filme. Sua tendência já era corriqueira, mas suas falas repentinamente sexuais para a mãe, sua relação sexualmente nojenta com a irmã e a clássica cena da banheira foram um pouco do que a A24 queria mostrar para o público. Não foi uma surpresa para ninguém esse nível de estranheza nas cenas, até porque os estúdios da A24 são conhecidos por filmes como "Midsommar - O Mal Não Espera a Noite" e "Beau Tem Medo", que trazem cenas sexualmente bizarras e até mesmo órgãos genitais gigantescos sem razão ou explicação. Seja de conhecimento publico ou não, quem assistir a esse filme numa tarde de domingo sem ter conhecimento do que os estúdios poderiam fazer com toda certeza se surpreendeu bastante com essas cenas.

Em boa parte do filme Oliver não passava de um maluco e racionalmente era bem inofensível, até que seu amigo Felix em uma doce surpresa de aniversário descobre que toda personalidade de Oliver não passava de uma mentira. Ele não era tão pobre quanto dizia, sua família era funcional e seu pai estava bem vivo. Felix fica incrivelmente irritado com a nova descoberta e o manda ir embora no dia seguinte, porque a família havia preparado uma festa enorme para o menino e explicar isso para todos iria ser muito difícil. Na manhã seguinte Oliver acorda em sua cama e encontra a casa destruída pela festa, mas também carregava um ar notório de preocupação, Felix havia sumido e todas as pessoas do recinto o procuravam de maneira desesperada.


FIM DOS CATTONS 



Felix é encontrado morto no labirinto, que ele estava com o Oliver há poucas horas. O narrador, que é o próprio protagonista, narra falas macabras “acho que você já sabe” “não preciso nem te contar” deixando de claro de imediato que quem o matou foi o mesmo. O que naquela altura do campeonato já não era surpresa, Oliver estava descontrolado e isso só iria piorar, ele começa a manipular todos da família, instigando que a irmã de Felix se matasse, mesmo que isso já fosse provavelmente feito sozinha, o homem a ajudou nesse desejo. Em algum momento de lucidez o pai da família manda Oliver embora com uma boa quantia de dinheiro e surpreendentemente o mesmo vai. Pega uma boa quantia de dinheiro e espera o próximo passo de seu plano acontecer, que não demorou muito já que o pai que acabará de perder dois filhos também veio a se matar. Sobrando somente a mãe da família, agora completamente sozinha e frágil.


O filme não explica muito bem se a relação deles se torna sexual de fato, mas os planos de Oliver finalmente se realizam quando ela assina papéis, deixando toda fortuna da família nas mãos dele. Pouco tempo depois ele também retira a entubação de sua garganta, acabando de enterrar todos da família Cattons. Destruindo de dentro para fora toda a família sorrateiramente, mas algo completamente estranho no filme é a maneira com qual a polícia simplesmente não tem força. Como poderia uma família rica morrer um atrás do outro e a herança inteira ficar para um zé ninguém e absolutamente nenhum policial desconfiar?. Oliver consegue tudo que tanto deseja e numa cena final recheada de nudez o mesmo mostra todas as pedras que representavam os familiares mortos. Ele finalmente se torna um homem poderoso e rico, mesmo que isso tenha feito dele um assassino. O filme é uma bela reflexão de até onde podemos ir por dinheiro e poder, também explora a profunda negação da elite em enxergar a realidade, até mesmo quando se trata de seu filho morto no quintal chique de sua casa. Cattons morrem por pura negação e negligência própria, e talvez até merecem um pouco de todo esse sofrimento.

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