Superman — a mensagem política e o renascimento de um herói para os tempos atuais
- marcelly moreira
- 15 de jul. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 15 de jul. de 2025

O filme Superman, lançado em 11 de julho de 2025, surpreendeu nas bilheterias, arrecadando mais de US$ 217 milhões no fim de semana de estreia. Dirigido por James Gunn, o longa chegou cercado de grandes expectativas dos fãs, que ansiavam por uma nova visão do icônico personagem. Depois dos filmes de Zack Snyder, muita gente pedia algo diferente e renovador. Não que eu ache os filmes com Henry Cavill ruins, mas entendo as críticas. Pra mim, às vezes, um filme de super-herói só precisa ser exatamente isso, um bom filme de herói, sem precisar de reviravoltas mirabolantes ou tramas super complexas.
James Gunn trouxe exatamente essa nova energia ao personagem, respeitando a essência do Superman, mas com um olhar mais esperançoso e otimista. Algo que os fãs estavam sentindo falta há algum tempo. Apesar do sucesso de bilheteria e boa repercussão, o novo filme Superman (2025) tem sido alvo de críticas por parte de setores da direita conservadora, que acusam a produção de ser excessivamente política e “woke”.
Um dos críticos foi o ator Dean Cain, que viveu o Superman nos anos 1990. Ele acusou Hollywood de exagerar na chamada “agenda progressista” e criticou mudanças como o novo lema do herói — “truth, justice and a better tomorrow” (verdade, justiça e um amanhã melhor) — em vez do clássico “the American way” (o jeito americano). No fim, assim como o filme em que atuou, suas opiniões também parecem presas ao seu tempo.
A polêmica aumentou com comentários de apresentadores e comentaristas políticos da Fox News, como Jesse Watters e Greg Gutfeld, que ironizaram o enredo do filme em temas como imigração, chamando o Superman de “Superwoke” e acusando o diretor James Gunn de criar “uma fortaleza de wokeness”. Kellyanne Conway também se juntou as críticas, dizendo que o filme parecia mais um “sermão político” e que isso poderia afastar parte do público tradicional.
Essas reações giram em torno da abordagem de James Gunn, que descreveu o herói como uma metáfora para a experiência do imigrante e defendeu valores como compaixão e justiça social. Algo que, para muitos críticos conservadores, seria um sinal de doutrinação progressista. Em resposta, diversos veículos e comentaristas progressistas,como The Guardian, The Week e UOL,destacaram que o Superman sempre teve raízes políticas, desde suas origens nos anos 1930, combatendo injustiças como o nazismo e a Ku Klux Klan.
Assim, o debate em torno do novo Superman mostra muito mais do que uma simples discordância estética: é um reflexo das tensões culturais e ideológicas que marcam a indústria do entretenimento atual. Além disso, em meio a essa nova onda de conservadorismo, nada mais corajoso do que lançar um filme como este, que se mantém fiel aos ideais originais do personagem, mesmo em tempos tão polarizados.

Muitos argumentam que a surpresa de parte do público em relação ao conteúdo do novo Superman se deve ao contraste com os filmes anteriores dirigidos por Zack Snyder, que apresentavam pouca diversidade e praticamente nenhuma influência de elementos associados à chamada “cultura woke”. A estética sombria, o tom mais sério e os protagonistas majoritariamente brancos marcaram a era Snyder, refletindo uma visão mais tradicional e até mesmo conservadora dos heróis da DC.
Por isso, a guinada proposta por James Gunn,com um Superman mais humanizado, inclusivo e centrado em temas como empatia, imigração e justiça social foi recebida com entusiasmo por uns e resistência por outros. Para muitos críticos, essa nova dinâmica representa não somente uma renovação estética, mas também uma tentativa consciente de reposicionar o personagem em sintonia com os debates sociais atuais.

Ainda que as críticas conservadoras tenham dominado parte do debate público, é importante notar como Superman (2025) também abriu espaço para discussões relevantes sobre o papel do herói como símbolo cultural.
A escolha por um elenco mais diverso e a introdução de personagens como Hawkgirl (Mulher-Gavião), Mister Terrific (Senhor Incrível) e Metamorpho (Metamorfo), por exemplo, não apenas ampliam o universo cinematográfico da DC, como também demonstram o compromisso do novo DCU com uma representatividade que vai além do estético. Trata-se de um esforço para mostrar que o heroísmo pode assumir muitas formas, refletindo um mundo mais plural.

O novo Superman não se distancia de sua essência; ao contrário, ele retorna à ela: um estrangeiro tentando fazer o bem em uma terra que, apesar de adotá-lo, nunca o aceitou por completo. Gunn transforma isso em potência , abordando a identidade de Clark Kent (Superman) não só como um alienígena, mas como alguém que constantemente negocia seu lugar no mundo.
A trilha sonora, os enquadramentos ensolarados e até os pequenos gestos de gentileza reforçam esse reposicionamento simbólico. O herói aqui não é um deus que julga a humanidade de cima, mas alguém que caminha entre as pessoas, ouve, erra, aprende e ainda assim acredita.
Além dos personagens já citados, o filme também conta com Guy Gardner (Lanterna Verde), interpretado por Nathan Fillion, que adiciona um toque sarcástico ao grupo de heróis, contrastando com a leveza e a esperança trazidas por Clark. Seguindo o mesmo caminho, Lois Lane, interpretada por Rachel Brosnahan, continua sendo uma âncora emocional e racional para a narrativa. Traduzindo, mais uma vez, a humanidade e inseguranças do herói.
O novo Superman (2025) talvez não agrade quem espera uma história mais tradicional ou dentro dos padrões de sempre. Mas é impossível ignorar a força do filme como reflexo do nosso tempo. Na verdade, quanto mais os setores conservadores criticam, mais parece que o longa acerta em cheio no que se propõe. Ele não tenta agradar todo mundo e fazia um tempo que não víamos isso no universo cinematográfico de heróis.



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