Thunderbolts: o renascimento da Marvel
- marcelly moreira
- 5 de mai. de 2025
- 4 min de leitura
CONTÉM RESUMO COM SPOILER E CRÍTICA!!

O filme lançado em 2 de maio de 2025, nos Estados Unidos, surpreendeu ao lotar as salas de cinema, mesmo após o último grande lançamento de Deadpool & Wolverine. Com expectativas baixas, Thunderbolts arrecadou 76 milhões de dólares no fim de semana de estreia nos EUA e Canadá, e mais 86 milhões de dólares internacionalmente, totalizando 162 milhões globalmente.
Dirigido por Jake Schreier e com roteiro de Eric Pearson e Joanna Calo, o filme surpreende ao abordar temas profundos como suicídio, saúde mental e trauma — algo raro no Universo Cinematográfico Marvel (MCU). Embora não seja excessivamente profundo, também não é superficial, encontrando um equilíbrio ideal para um filme de pouco mais de duas horas.
Yelena Belova, interpretada por Florence Pugh, assume o protagonismo ao longo de toda a trama. Os demais personagens cumprem seus papéis, mas é a conexão emocional entre Yelena e Bob, vivido por Lewis Pullman, que toma conta da narrativa. Bob, também conhecido como Sentinela, é um super-humano atormentado por seu alter ego destrutivo, o Vácuo.
O filme começa com Yelena se jogando de um prédio enquanto narra um discurso sobre suicídio. Era claro que ela usava um paraquedas, mas, logo no início, percebemos que ela falava sobre estar passando por uma depressão pesada. Ex-espiã da Sala Vermelha e irmã adotiva de Natasha Romanoff, Yelena carrega seus próprios arrependimentos, dizendo que nem todos os seus problemas começaram quando sua irmã morreu. Atualmente, trabalha para Valentina Allegra de Fontaine, agente governamental que reúne diversos soldados esquecidos para esconder seus segredos. Isso culmina em uma emboscada, quando Valentina envia Yelena, John Walker, Ava Starr e Antonia Dreykov para dentro de um incinerador. Antonia acaba sendo morta por Ava Starr, e os outros ficam presos para morrer. É lá que conhecem Robert Reynolds, um homem completamente misterioso que não se lembra como chegou ao local após participar de um teste clínico.

Todos escapam, e a descoberta de que Robert é imortal e um sobrevivente do projeto Sentinela torna-se de conhecimento do grupo e de Valentina, que tem planos midiáticos para o homem que sequer sabe como foi parar ali.
Nesse meio-tempo, Bucky Barnes sequestra o grupo — que, a essa altura, já havia encontrado o Guardião Vermelho pela rota de fuga. Bucky descobre que Valentina pretendia transformar o Sentinela em um integrante dos Novos Vingadores e, com isso, fazer com que seu impeachment fosse revogado. A personagem é interessante, fazendo com que parte do público torça por ela em diversos momentos. Mesmo que suas motivações sejam severamente errôneas, sua vontade de ter poder e sucesso é, de certo modo, admirável.
Perto do final do filme, Robert percebe que é quase como um deus de tão poderoso e, sendo assim, não precisaria mais seguir as regras e comandos da agente Valentina. O homem entende que não pode confiar em ninguém, já que perdeu a fé tanto no grupo quanto na mulher que tentou desliga-lo com o apertar de um botão. É nesse momento que ele se torna o Vácuo — uma versão muito pior do que o próprio Sentinela.
Transformando tudo ao seu redor em sombra, Vácuo não dá chance de luta nem sequer espaço para batalhas. Todos os que são enviados para esse “vácuo” ficam presos em salas onde são confrontados com seus piores erros e arrependimentos. Uma tortura psicológica surreal, refletindo o poder absoluto e descontrolado de alguém que já não vê limites entre depressão, tristeza e dor.
Descobrimos que a infância de Robert foi marcada por violência: seu pai agredia sua mãe durante boa parte dos seus primeiros anos de vida. Na juventude, ele se tornou dependente de drogas, tentando lidar com o trauma de forma autodestrutiva. Robert é encontrado por Yelena em uma dessas salas do Vácuo, onde está preso nos próprios tormentos. É ela quem o convence a lutar contra aquilo que o consome. São personagens muito importantes para a trama, que se unem por uma única razão: continuarem vivos e se tornarem pessoas melhores.

Já tivemos uma pitada de seriedade quando vimos Natasha e Steve Rogers conversando com civis que perderam suas famílias após o estalar de dedos, ou até mesmo Thor claramente em depressão, embora tratado com piadas de mau gosto sobre ganho de peso. Mas Thunderbolts talvez seja a primeira vez em que vemos a Marvel falar sobre depressão de forma realmente séria.
Em uma batalha difícil — que pode ser interpretada como uma metáfora para enfrentar a depressão e a auto sabotagem —, Robert consegue vencer o Vácuo com a ajuda do grupo, que, nesse momento, se mostra como uma verdadeira família.
O final é previsível e sem muitas curvas inesperadas, o que faz com que o filme seja muito mais agradável do que, de fato, surpreendente. Mesmo que eu simpatize com poucos personagens desse grupo curioso de pessoas, torço demais para que a Marvel continue com filmes parecido com esse. Ele tem o nível certo de comédia. Surpreendentemente, não esbarra na trama um tanto dramática em nenhum momento.
O filme é uma clara introdução — e não necessariamente um "filmasso" que você lembrará por décadas. Mas representa o início de uma longa jornada com personagens pouco explorados, de forma semelhante ao que foi construído nas fases 1 e 2 da Marvel, trazendo o auge da fase 3. Capitão América: O Novo Mundo também tentou seguir por esse caminho com seu lançamento em 14 de fevereiro de 2025, mas acabou não alcançando o sucesso esperado — faltaram tanto uma bilheteria sólida quanto uma trama realmente relevante e envolvente.
Thunderbolts é um renascimento. Mostra muito do que a Marvel é capaz de fazer. Dá um gostinho do que talvez venha a ser o novo filme do Quarteto Fantástico, previsto para 25 de julho de 2025. Talvez estejamos presenciando o início de uma nova era da Marvel — que pode até não ser como a antiga, mas chega bem perto.



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