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Tremembé oscila entre drama e sátira e consegue fazer o impossível: errar em ambos

  • Foto do escritor: marcelly moreira
    marcelly moreira
  • 17 de nov. de 2025
  • 9 min de leitura

Atualizado: 29 de dez. de 2025

A série Tremembé foi lançada no dia 31 de outubro e repercutiu bastante nas redes sociais, todo mundo quer saber como funcionava a cadeia mais famosa do Brasil. Inspirada no livro Ullisses Campbell, que leva o nome da cadeia dos famosos, a série entrega um elenco diverso e surpreendente, com Marina Ruy Barbosa, Carol Garcia e Letícia Rodrigues, a série tem como o núcleo principal, Suzane von Richthofen, Elize Matsunaga e Sandrão (Sandra Regina). Quando os trailers saíram, boa parte do público se animou, já que não é costume obras criminais como essa no Brasil. Geralmente são feitos documentários e talvez devêssemos continuar assim.


A obra começa com a famosa mandante pelo assassinato dos pais, Suzane von Richthofen, sendo atacada durante uma rebelião que aconteceu em 2006 na Penitenciária Feminina da Capital (PFC). De lá ela consegue de maneira manipuladora se transferir para Tremembé. A série demonstra Suzane von Richthofen de maneira completamente manipuladora e psicopata. Usando tudo e a todos quando lhe convém, com uma atuação de fato surpreendente. Marina Ruy Barbosa, que sempre atual de forma mecânica, demostrou estudar muito para interpretar a jovem detenta.



As cenas dela, por mais que caricatas, servem para o que a trama pede. Sua relação com Sandrão é incomoda, mesmo que tenha acontecido de verdade, me pergunto se a dinâmica de ambas eram tão sátira e ridícula assim. Sandrão não dá medo, dá tédio. A série tenta bastante fazer dela uma grande vilã e falha miseravelmente. Seu passado são as únicas cenas (picotadas) que temos de quão ruim ela pode ser. Toda trama da Sandrão com Elize e Suzane é mal feita. Romances pouco explicados e dinâmica confusa. Muitas coisas jogadas e amarradas de maneira rápida. Elize superar bem e não entrar mais em contato com Sandrão mesmo sendo bem ciumenta, Suzanne continuar no comando da cadeia após pegar os 20 mil de Sandra é surreal. Somente cinco episódios para muita coisa acontecendo. 


Abro também um adendo para as cenas de relações sexuais. Não sei se as cenas não contavam com um responsável para auxiliar os atores, mas tudo era meio corrido e mal feito. Os atores mal se beijavam e quando o faziam era de maneira mecânica e pouco dinâmica, não parecia real. Do lado do pavilhão masculino a paz reina, os homens se divertem e bebem em uma liberdade que você não vê no feminino.


Os irmãos cravinhos se dividem em duas personalidades, um chora e chora e o outro transa e transa. Cada um com seu momento especial na trama. Daniel Cravinhos (Felipe Simas) é interpretado de maneira bem dramática, o mesmo não parece se responsabilizar pelo seu crime e age como se sofresse de transtorno pós-traumático o tempo todo. A trama trata os irmãos de maneira mais humana e pacífica. Cristian Cravinhos (Kelner Macêdo) aparece de maneira tão leve e cômica que em certo momento esquecemos até mesmo do crime qual ele foi condenado. O homem vive um romance com outro detendo e um relacionamento serio fora da cadeia. Bem feito e talvez uma das partes mais dinâmicas e humanas da série seja a relação dos irmãos.


As demais tramas envolvendo a Poliana, Jatoba e Nardoni são descartáveis mas interessantes. Ver a dinâmica básica de como esses criminosos lidam com as consequências de seus atos de maneira básica e até mesmo dinâmica é curiosa. Poliana cometeu um crime tão terrível que consegue ser odiada e julgada por uma mulher que matou uma criança. A cadeia masculina também critica como as drogas entra lá por meio dos próprios policiais. Com uma dinâmica de relacionamento tóxico

de todos os homens que se relacionam lá dentro.


A série se perde no que quer ser, mas entrega o básico para quem só quer consumir um conteúdo básico sobre os crimes mais famosos do país. Não é nada extraordinário e tem como base talvez uma linha mais cômica do que dramática. Tirando as cenas de simulação dos crimes, nada historia é dramático.


VIDA REAL 


Elize Matsunaga 

Elize foi presa em flagrante em junho de 2012 e inicialmente detida na Cadeia Pública de Itapevi (SP) , onde ficou em uma cela isolada por um curto período. No mesmo mês de junho de 2012, ela foi transferida para Tremembé. Ela permaneceu nesta unidade prisional durante o restante de sua pena em regime fechado e semiaberto, até ser concedida liberdade condicional em maio de 2022. Totalizando 10 anos em Tremembé.


Elize começou a trabalhar como motorista de aplicativo na cidade de Franca, interior de São Paulo, onde mora atualmente. Ela tenta restabelecer o contato com a filha, criada pelos avós paternos (os pais de Marcos Matsunaga). A relação é distante, e ela busca autorização judicial para visitas. Ela cumpre a liberdade condicional, incluindo a condição de não deixar a cidade de Franca sem autorização judicial.


Em 19 de maio de 2012, Elize atirou em Marcos e depois cortou o corpo dele em seis partes. 


Suzane von Richthofen 
39 anos e 6 meses de prisão

A mulher passou aproximadamente 16 anos em Tremembé em regime fechado e semiaberto, e o tempo restante (cerca de 4 anos) em outras unidades prisionais antes de ser transferida para lá.


Em 11 de fevereiro de 2023, Suzane foi para o regime aberto após 20 anos presa, em seguida se mudou para Angatuba, interior de São Paulo e abriu um ateliê.  Ela deu à luz seu primeiro filho, um menino chamado Felipe, em janeiro de 2024, após progredir para o regime aberto. O pai da criança é o médico Felipe Zecchini Muniz, com quem Suzane se casou e vive em Atibaia, interior de São Paulo.


O bebê não recebeu o sobrenome "von Richthofen". Suzane inclusive alterou seu próprio nome para Suzane Louise Magnani Muniz, adotando o sobrenome da avó materna e do marido, para distanciar a criança e a si mesma do estigma do crime.


No dia 31 de outubro de 2002, Elize deixou que os irmãos Cravinhos entrassem em sua casa e matassem seus pais. Planejando o assassinato.


Daniel Cravinhos
38 anos e 11 meses de prisão

Daniel Cravinhos ficou 15 anos e 3 meses preso na penitenciária de Tremembé.  Ele foi preso em 2002 e progrediu para o regime aberto, deixando a prisão em 16 de janeiro de 2018 para cumprir o restante de sua pena em liberdade. Sua condenação total foi de 38 anos e 11 meses de prisão


Ele trabalha com customização e manutenção de motocicletas, se casou com a biomédica Carolina de Andrade em janeiro de 2025 e teve um filho em novembro de 2024, fruto de um relacionamento anterior com a estudante Andressa Rodrigues.


No entanto, a relação com Andressa terminou logo após o parto, em meio a polêmicas de traição. Daniel e sua atual esposa mantêm perfis nas redes sociais (como TikTok e Instagram) onde mostram sua rotina e, em algumas ocasiões, ele comenta sobre sua experiência na prisão.


No dia 31 de outubro de 2002, Cristian e seu irmão golpearam os pais de Suzane von Richthofen na cabeça com uma barra de ferro (mão-francesa) várias vezes até a morte enquanto eles dormiam.


Cristian Cravinhos
38 anos e 6 meses de prisão

Cristian Cravinhos está em liberdade desde março de 2025. Ele foi condenado pelo assassinato do casal Richthofen, em 2002, e a Justiça de São Paulo negou um recurso do Ministério Público para que ele voltasse ao regime fechado, mantendo sua liberdade.


Ele vive em São Paulo e recentemente, em novembro de 2025, ele se envolveu em um acidente de moto o que trouxe sua vida atual novamente à atenção pública. O acidente de moto sofrido por Cristian ocorreu a uma distância muito próxima da antiga casa da família Richthofen, no bairro do Campo Belo, zona sul de São Paulo.


Ele chegou a se manifestar sobre a série em suas redes sociais por conta do relacionamento amoroso com outro detento, Ricardo de Freitas Nascimento (conhecido como Duda), enquanto estava preso. O relacionamento foi retratado na mídia e na série. Cristian negou tudo, dizendo que a trama era sensiosanalista, após o escritor provar com fotos da calcinha e cartas, ele alegou que o país tinham problemas maiores que sua vida pessoal.


No dia 31 de outubro de 2002, Cristian e seu irmão golpearam os pais de Suzane von Richthofen na cabeça com uma barra de ferro (mão-francesa) várias vezes até a morte enquanto eles dormiam.


Sandrão (Sandra Regina)
27 anos de prisão

Sandra Regina Gomes, a "Sandrão", ficou presa na Penitenciária Feminina Santa Maria Eufrásia Pelletier, em Tremembé, por aproximadamente 12 anos e 8 meses. Sandra Regina Gomes, hoje se identifica como homem e vive de forma reclusa e discreta, e as informações recentes disponíveis publicamente não confirmam se ele está casado ou em um relacionamento no momento.


Ele evita a exposição pública e, antes de suas entrevistas recentes para o "Domingo Espetacular" e a CNN Brasil, não dava entrevistas há anos. Foi condenado por participar do sequestro e assassinato de um adolescente de 14 anos em Mogi das Cruzes, São Paulo, em 2003.


Mesmo após o pagamento de parte do resgate, o adolescente foi morto com um tiro na cabeça. Morreu por reconhecer Sandra, que era, na época, sua vizinha.


Luciana Olberg (Poliana)
29 anos de prisão

Não se tem dados de quantos anos Luciana ficou na Penitenciária Feminina Santa Maria Eufrásia Pelletier. Ela foi sentenciada a 29 anos de prisão. Durante seu tempo na prisão, ela se aproximou de Suzane von Richthofen. Essa proximidade levou seu irmão, Rogério Olberg, a iniciar um relacionamento por correspondência com Suzane em 2015, que culminou em um noivado e durou até 2020. 


Atualmente, Luciana Oldberg está vivendo em regime semiaberto e mantém uma vida discreta e afastada dos holofotes da mídia. Devido à natureza privada de seu status atual e ao fato de não ser uma figura pública, há poucas informações detalhadas disponíveis sobre seu cotidiano específico. Ela não tem mais contato regular ou amizade com Suzane von Richthofen.


Luciana orquestrou e filmou o estupro de suas duas meias-irmãs. Seu marido e outro homem dopavam as crianças de 3 anos com tequila e violentam as mesmas.


Anna Carolina Jatobá
26 anos e 8 meses de prisão

Anna Carolina Jatobá ficou detida na Penitenciária Feminina de Tremembé por 15 anos em regime fechado e semiaberto. Ela estava presa desde 2008, ano do crime, sendo transferida para Tremembé. Atualmente, Anna Carolina Jatobá mora em São Paulo. ela deixou a prisão em junho de 2023, após cumprir cerca de 15 anos de sua pena de 26 anos e 8 meses. Ela reside em um apartamento de alto padrão na Zona Norte de São Paulo, um imóvel que pertence à família Nardoni. Houve relatos de mobilização de vizinhos contra a presença do casal no condomínio.


Apesar de notícias anteriores sobre uma separação, informações recentes (de meados de 2025) indicam que ela e Alexandre Nardoni reataram o relacionamento e foram vistos juntos em atividades cotidianas, como fazendo compras. Ela busca levar uma vida normal, frequentando mercados e lidando com a rotina fora das grades, sob monitoramento judicial.


Seus dois filhos, que tinha com Alexandre Nardoni e que ficaram sob a guarda dos avós paternos durante sua detenção, agora são adultos (com 18 e 20 anos). A convivência com eles segue de forma limitada. Ela raramente fala publicamente e tenta manter a privacidade, embora seja ocasionalmente fotografada por moradores ou pela mídia. 


Anna Carolina Jatobá foi apontada como responsável pela morte de Isabella Nardoni. Isabella foi agredida fisicamente por Jatobá e, em seguida, jogada da janela pelo pai, Alexandre Nardoni, para simular uma tentativa de furto. Médicos dizem que a garota ainda estava viva quando foi jogada da janela pelo próprio pai.


Alexandre Nardoni
30 anos e 1 mês de prisão

Alexandre Nardoni foi condenado a 30 anos e 1 mês de prisão em 2010 pelo assassinato da filha Isabella em 2008. Atualmente reside na casa de seu pai na zona norte de São Paulo, onde reatou a união com Anna Carolina Jatobá. Eles foram vistos fazendo compras e circulando em comércios locais, como farmácias e minimercados.


Um parecer social indicou que ele pretendia trabalhar na construtora do pai assim que progredisse para o regime aberto. Embora tente manter uma vida discreta, sua presença e a de Jatobá em seus bairros geram espanto e, às vezes, mobilização de moradores que não aceitam a situação. 


Alexandre Nardoni, para simular uma tentativa de furto, jogou sua filha Isabella Nardoni da janela de seu apartamento para esconder a agressão de sua esposa, Anna Carolina Jatobá. Médicos dizem que a garota ainda estava viva quando foi jogada pela janela.


Roger Abdelmassih
181 anos de prisão

Roger Abdelmassih teve passagens pela Penitenciária de Tremembé em diferentes períodos, com idas e vindas devido a decisões judiciais e problemas de saúde. Ele não ficou um período contínuo e único na prisão.


A primeira prisão ocorreu em 18 de agosto de 2009. Ele permaneceu detido por alguns meses, mas foi solto em 24 de dezembro de 2009 por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que lhe permitiu responder em liberdade. A segunda prisão, após ele ficar foragido, foi em 19 de agosto de 2014, no Paraguai. Ele foi extraditado para o Brasil no dia seguinte, 20 de agosto de 2014, para começar a cumprir sua pena. Em março de 2023, o STF determinou que ele fosse transferido para o Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário (CHSP), que fica no antigo Complexo do Carandiru, na zona norte de São Paulo devido ao seu estado de saúde, onde permanece em prisão domiciliar humanitária.


Roger estuprou 48 vezes cerca de 37 mulheres. Os crimes foram cometidos em sua clínica em São Paulo, geralmente enquanto as pacientes estavam sedadas durante procedimentos médicos.


 
 
 

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