Vermelho, Branco e Azul: Das estantes para as telas
- marcelly moreira
- 14 de ago. de 2023
- 3 min de leitura
O filme "Red, White & Royal Blue" estreou nesta sexta-feira (11) na plataforma de streaming Prime Video. Depois de tanto investimento por parte do streaming para a divulgação, o filme rendeu retorno quase imediato. Seja pelos atores ou pelos fãs do livro, o filme vem se tornando uma febre para o público queer e outros. Minha crítica é absoluta e específica sobre o filme, não li o livro e não sei quase nada sobre o mesmo.
O livro é narrado pelo Alex e o filme não poderia ser diferente, o mesmo parece ser bem mais protagonista que o Henry. Vemos seus dilemas sobre se tornar filho da presidente dos EUA e lidar com seus privilégios enquanto julga o dos outros. Já Henry carrega a realeza britânica em suas costas e a dificuldade de se crescer sem nenhum tipo de privacidade e afeto. Tirando sua irmã, ele não recebe suporte de ninguém e isso reflete em como ele foge do Alex quando se vê obrigado a enfrentar seus sentimentos e tomar uma decisão definitiva. E ele toma a decisão momentânea de o deixar, já Alex luta pelo amor do mesmo, não tendo medo nenhum de ser rejeitado pelo seu amado ao pegar um avião no meio da noite na busca de alguma resposta que não fosse o silêncio.
Depois de muitas cenas românticas chegamos ao ápice do filme quando vazam inúmeros e-mails que eles trocavam, não se sabe quem vazou, mas o filme dá entender que o jornalista, caso de uma noite do Alex, foi o responsável por toda essa exposição. Henry, que já sofria opressão, passa a ser incomunicável para todos e principalmente para seu namorado. No final do filme vemos que eles são "aceitos" pelo povo. Ganham suporte do povo LGBTQIA+ e o filme acaba. A realidade já é um pouco diferente da ideia do filme, homens como o Henry não poderiam se assumir se não abrissem mão do trono e de toda vida da realeza. O filme não esclarece as consequências pós-terem indo contra o avô do Henry, só mostram a mãe de Alex ganhando as eleições americanas.
O filme é leve e fácil de assistir, não se tem dificuldades para entendê-lo. É um romance com toques de comédia e piadas de duplo sentido envolvendo os dois. Em falar em piadas de duplo sentido, o que move o filme é a forma com que eles se odiavam e depois passaram a se amar. O famoso gênero "enemies to lovers", geralmente se trata de duas pessoas que se odiavam e depois desenvolvem uma relação amorosa em meio de provocações e xingamentos. Particularmente não sou fã desse gênero em obras, acho quase sempre mal construído e sem sentido nenhum quando pensamos racionamento. Quem gostaria de ficar com alguém que te despreza? Mas de qualquer forma, eu acho que foi uma das melhores construções de "enemies to lovers" que eu já vi. Eles não se odiavam com muito ódio, simplesmente não se gostavam, algo muito fácil de se mudar.

Esse foi o maior apoio de marketing que eu já vi em um filme LGBTQIA+ durante minha vida, fico feliz que talvez as coisas estejam mudando para a comunidade queer dentro das telas, mesmo que seja somente para a comunidade gay. Já que um filme de mulheres sáficas nunca teria um apoio desses e todos sabemos o porquê. Mas dos males os menores, o filme teve uma boa aceitação no meio. Não sei se faz sentido com o livro, mas é um filme bem gostosinho de se assistir e uma boa representatividade para a comunidade.



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